Artista: Marcia Xavier
CLIPPING
REALIZADA ENTRE OS DIAS 27/09 E 29/10/2008.
RELEASE

por Marcia Xavier

Venho trabalhando ao longo dos últimos sete anos com espelhos, construindo aparelhos ópticos como binóculos, lunetas, telescópios e monóculos, híbridos de escultura e cinema. O mundo distorcido como em um caleidoscópio onde a imagem refletida no espelho se move, dissolve e se multiplica enquanto andamos, produzindo uma sensação de vertigem. Há um ano experimentei usar água no lugar do espelho. Construí uma escultura, OLHO D’ÁGUA, uma lente gigante suspensa. A água fica acumulada em uma lona de plástico cristal, presa em um anel, formando uma bolha-lente, sustentados por três pés. O céu, as nuvens, os prédios, árvores, aviões e fios de eletricidade… se deformam como numa visão de olhos cheios de lágrima.

Distorcendo a realidade com a água, a escultura foi montada em praças públicas de duas cidades, Curitiba e Foz do Iguaçu. Para minha individual do ano passado, na Casa Triângulo, instalei, na fachada interna da galeria, 600 garrafas pet de dois litros cada cheias de água, empilhadas em prateleiras de vidro formando uma grande conjunto de lentes. Diferente da água acumulada na horizontal do OLHO D’ÁGUA, essa instalação acumulava a água na vertical. Foram duas toneladas de água.

Do registro dessa instalação fiz uma série de quatro fotos, com momentos de luz diferentes, que chamei de 4OLHOS. Este trabalho faz parte do grupo de fotografias que mostro na exposição de Belo Horizonte. 4OLHOS e OLHOOLHO são ampliações em metacrilato. O registro destas imagens foi feito pelo fotógrafo Fernando Lazlo. A outra fotografia é um registro, feito por mim, do OLHO D’ÁGUA em Foz do Iguaçu. OLHOFOZ tem o mesmo tamanho da escultura, três metro de altura.

Fiz um vídeo para a exposição. Em parceria com a artista Letícia Ramos, filmamos, durante 24 horas, time lapse, a instalação de garrafas pet na Casa Triângulo. VAGALUME mostra a mudança de luz com o passar do dia para noite. Contrariando a escala do ambiente filmado, 6 metros de pé direito, o vídeo é mostrado em um pequeno DVD player.

Construí também três caixas de vidro, com tamanhos e imagens diferentes para serem vistas através da água, armazenada em garrafas e tubos de ensaio. Um sanduíche de água, imagem e luz. As fotos mostram o mar e um detalhe do edifício Niemeyer da Praça da Liberdade na cidade de Belo Horizonte. Mostro também uma instalação com água, feita especialmente para o espaço da Galeria Carminha Macedo. 30 globos de vidro cortados em alturas diferentes e cheios de água até o limite de suas bordas vão ser colocados na altura dos olhos, entre os outros trabalhos da exposição. A instabilidade do chão vai produzir pequenas ondas na água que podem fazê-la transbordar ou não. A idéia é testar este limite e produzir uma visão particular da exposição.